Hoje nem sei porque escrevo!


Hoje não sei porque escrevo mas sei que devo fazê-lo, por isso, o meu grande desafio é pegar nestas primeiras palavras que escrevo sem saber bem porquê e tentar escrever algo que tenha algum sentido e que no fim me traga alguma emoção não só pelo que sentirei ao ler-me mas também pelo que posso fazer sentir a quem me lê.

Há um tema sobre o qual muita a gente já escreveu ou pelo menos reflectiu, já li muitos textos sobre ele, inclusive de amigos meus, mas nenhum deles muito profundo porque a verdade é que ninguém sabem o que ele é realmente. Esse tema que é de significado diferente para cada um de nós simplesmente porque cada um de nós encerra uma vivência diferente. Cada descrição acaba por ser sempre um estado de alma, reflectindo um momento, uma determinada altura das nossas vidas.
Quando tinha vinte anos, escrevi sobre ele mas passados uns anos nenhuma daquelas palavras fazia sentido, quis perceber porquê mas também não consegui porque estava demasiado ocupado a viver, deixei-me andar, nunca mais tive coragem de escrever uma linha só que fosse sobre o assunto pois temia que mais uma vez as minhas palavras perdessem sentido. Percebi que o melhor era mesmo continuar e viver mais uns anos, talvez a resposta surgisse como uma luz, mas não, aos poucos entendi que afinal tudo o que escrevi estava certo, pelo que, ele, esse tema sobre o qual escrevo, significava para mim nessa altura da vida e que a nossa ideia sobre ele vai mudando à medida que vamos vivendo como seres lúcidos e atentos.

Tal é a necessidade de escrever sobre este tema que continua a apetecer-me falar sobre ele de uma forma "anónima" , tenham paciência.
Para vocês verem como é difícil falar sobre ele e como é algo maravilhoso mas ao mesmo tempo abstracto - O outro dia vi uma reportagem sobre alguém que acabara de ganhar milhões numa lotaria e vi isto de que falo nos olhos dessa pessoa.... mas depois, passados uns dias, ao visitar uma escola do 1º ciclo, vi o mesmo nos olhos de uma criança quando lhe entreguei os livros novos que os pais não lhe puderam comprar. Duas situações diferentes mas o mesmo brilho no olhar.
É isso mesmo...a Felicidade. O que é ser feliz? O que nos faz felizes? Porque estamos felizes de manhã e tristes à tarde? ou vice-versa - Apesar de eu fazer estas perguntas, não esperem que vos dê aqui as respostas, se eu as soube-se, neste momento já teria escrito um bestseller e estaria com o mesmo sorriso do milionário da lotaria. Não dou as respostas porque cada um terá que encontrar as suas mas posso deixar a minha ideia de felicidade que pode servir ou não para alguns entenderem ou se entenderem nesta matéria.

O ser humano tende sempre a querer mais e melhor, daí ser fácil explicar, do ponto de vista material, a evolução da espécie, em matéria de felicidade não foge à regra. Chegamos ao ponto de achar que seremos mais felizes se conseguirmos comprar um BMW... ou ter a casa dos nossos “sonhos”, ridículo. Se realmente o que queremos é a felicidade porque não dedicamos as nossas vidas a procura-la e a tentar entender o que ela significa para nós? - Mas não, a grande maioria passa o seu tempo, a sua vida, a lamentar-se quanto à sua infelicidade ou à procura dela no meio de stands de automóveis ou de outras matérias que nos enchem a casa e nos esvaziam os bolsos. Felizmente (fica bem esta palavra atendendo ao contexto) que vejo cada vez mais pessoas atentas a algo mais importante que coisas materiais, algo tão importante como elas próprias, pessoas que se cuidam não só fisicamente, aprendendo a gostar do seu corpo, a aceita-lo, mas também psicológica e emocionalmente, aprendendo a lidar consigo próprias a ouvir as vozes os sinais que diariamente nos chegam. A Felicidade que muitos procuram lá fora, começa dentro de cada um, sem isso, mesmo que venha uma Lamborgini depois do BMW o estado de espírito será sempre o mesmo, numa a busca imparável.

A Felicidade comparada, uma boa técnica para se sentirem menos infelizes, pelo menos, pensem sempre que há alguém mais infeliz que nós, por enumeras razões, afinal até somos uns sortudos por termos o que temos ou sermos quem somos, não é difícil fazer este exercício.. pensem bem. A isso chama-se Gratidão e caso não saibam a Felicidade começa aí.

 - Mas a minha felicidade não depende de mim - É frequente ouvirem isto e depois de algumas explicações até acabam por concordar, realmente há becos sem saída. Nada mais errado que concordar com alguém que está infeliz e que acaba de nos dar todas as razões para continuar a sê-lo. Tudo tem solução, até a morte pode ter  solução se aprendermos a aceita-la como parte da vida. Não estou logicamente a falar de suicídio mas quantas pessoas voltaram a encontrar a felicidade depois da morte de alguém muito querido? - simplesmente porque conseguiram aceitar esse facto não ficando preso a ele.

Ser Feliz não é o mesmo que viver num estado de Felicidade. Ser feliz é viver aqueles momentos, aqueles picos de felicidade proporcionados por um acontecimento, celebração, afectos etc. Viver num estado de Felicidade é observar os nossos dias, os nossos relacionamentos, as nossas emoções de uma forma serena, pacifica. observando cada momento conscientemente como algo que faz parte de um todo e do qual todos fazemos parte. A Felicidade está nas pequenas coisas nos pequenos gestos, nas palavras nos sentimentos...no fundo, nas pessoas. Sentir Felicidade pode ser observar o sorriso de uma criança mas também pode ser conseguir entender alguém que nos dá uma má resposta, pode ser receber uma mensagem de carinho mas também pode ser conseguir “arrancar” um sorriso a quem sempre nos mostrou má cara, pode ser receber flores de quem nos ama mas também pode ser entender o porquê do seu silêncio.
  A Felicidade pode ser melhor entendida se tentarmos perceber o mundo de dentro para fora e não de fora para dentro, é a nossa estabilidade emocional e o equilíbrio interior que nos permite atingir a plenitude. Nada nem ninguém deverá ser a causa da nossa “não felicidade” procurar alguém para ser feliz é um erro crasso, procuremos primeiro o equilíbrio dentro de nós, esse alguém, se existir, surgirá naturalmente agregado a essa energia pacificadora que irradiamos. 


Mania que eu tenho de escrever à noite, ficam sempre coisas para dizer... Na verdade não disse nada que vocês já não soubessem mas quero... quero continuar amanhã, ou depois, para a semana ou mesmo para o ano, quando me apetecer, virei e continuarei a falar da Felicidade, das pessoas que passam pela nossa vida sem ser por acaso, falar dos que já são felizes e ainda não sabem, dos que desperdiçam a felicidade...ou então virei apenas "rasgar" esta folha por nada fazer sentido.

Sejam coiso...(Felizes...) :)
Carlos Dionísio

P.S. Ao início não sabia mesmo do que ia falar. Acho que não correu mal ;)
Experimentem, deixem-se levar, há mensagens da alma que só vêm assim, pela entrega.




                                                                            

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